
A porta está entreaberta,
Há cânticos silentes vindo dos
Atavios suburbanos.
Debalde.
Debalde.
Palavras caladas no alicerce
Incolor das estátuas reverberantes,
Proprietárias da hermética de um vôo
Insípido.
A porta está entreaberta,
Vejo resquícios de sombras e
Sons de alaúde,
Numa busca constante da
Melodia inconstante,
Concerto. Conserto.
No eixo de um betume
Cínico. Cinéreo.
Cineriforme. Cem.
Sem cinese.
A porta está entreaberta,
E eu a buscar o destino
Do livre-arbítrio à velocidade
Do talante sob as asas da
Libélula frenética de frêmitos
Tortos qual objeto direto
Interno pleonástico.
A porta está entreaberta,
Musgos nauseantes bebem
A sequidão do meu deleite
Vazio.
A porta está entreaberta,
Há uma porta entreaberta,
Sempre haverá uma porta entreaberta.
ANDERSON COSTA

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