
Quando me olhares
Estarei frio e triste,
Esparzido sobre mim, a remendar
Reminiscências convalescentes
De minha utopia.
Estarei conformado com a
Inconformável austeridade
Do labor
Das religiões
Das tradições calcantes.
Das minhas mãos transbordará gotículas
Do galardão improfícuo,
Molhando o assoalho das diretrizes.
Encontrarás-me à atalaia daquela
Sombra que se esconde sob o tapete mofado
De incertezas vindas dum aquário vazio
Ao lado do meu pudor.
Assim me encontrarás.
Assim me olharás.
Despido do senso comum,
Tentando me ensimesmar no parapeito
Da morte soberba.
O que é a morte senão
O desvencilhar-me do casulo
Que me impede o vôo?
O quadro será outro.
Uma pintura com outras cores.
Frio.
Frio e triste.
Voarei sem me preocupar com condutas,
Com o dinheiro no fim do mês
Com a decoreba
Com doutrinas
Apenas voarei.
ANDERSON COSTA





