sexta-feira, 28 de maio de 2010

ANDANÇAS


Minhas andanças sigilosas estão nalgum
Pasmo unilateral.
Não me sinto, mas sinto o que sinto
Sem vontades.
Uma vida desconforme sob herbáceas do Sertão.
Melancolia que apodera pés rachados.
Barbeiros beijam com paixões inebriantes
Rostos sem faces dum espelho quebrado.
Cactos transeuntes adoçam o líquido fel das
Andanças infindas, sem porventuras.
Abutres transcendentes bebem as brisas do
Mar seco sedento por sequidão, sem vísceras
Minuciantes, atrelados ao porvir.
Casas de barro, amargo, sem prados.
Degredo de esperanças inconvictas,
Solidão que declama sentada sobre um
Açude sem máculas, com açucenas triviais
Sem leitos de esperança.
Meninos e meninas desvestidos da didática,
Das fórmulas, da ciência.
Um único candeeiro, frio, lúgubre,
Sobre a mesa que namora cupins toscos e frementes.
Dorme sobre o sofá vetusto resquícios do seio social.
Mãos queimadas pelo sol rigoroso.
Terras molhadas, opacas, que deterioram as putrefações
Regozijantes.
Andanças.
Minhas andanças em calhaus íngremes da sede.
Uma fotografia em preto e branco, de matizes sinuosas
No respaldo dum cachorro sarnento do menino sujo.
Meus pés calçados a caminharem sobre o chão tenro
De modéstia plenipotência.
Vidas resumidas no Sertão esquecido, uma sujeira varrida
E posta no canto da civilização.
Não me esqueças Sertão.
Minhas andanças me levam a ti.
Benfazejas são tuas crianças e animais e cruzes.
Cactos que inspiram pinturas.
Portentoso Sertão numa foto em preto e branco

ANDERSON COSTA

Um comentário:

  1. show de bola todas as suas postagens...vc tem futuro como Poeteiro...hehe ..abração..Vini Castro

    ResponderExcluir