
Um retrato
Badulaques multiformes.
Quinquilharias desconformes
No ínclito caleidoscópio de
Fervores amenos
No tilintar político
Do voto eleitoral.
Cidadão ou indigente?
Leis intransigentes.
Uma sociedade de pormenores.
Escopo aleatório.
Fila única,
Burocracia.
Minha vida
Hirta,
Resumida em
Documentos,
Papeladas,
Papelagem,
Aragem num arabesco.
Que aflição!
Tardes de reuniões.
Ver o arrebol?
Não! Responsabilidades e obrigações.
E então?
E então?
Arrasto-me ao chão
Tombado.
Carrego o patrimônio público.
Patrimônio.
Não público.
Alvorecer de sindicatos,
Salários atrasados.
Coesos?
Esgarçados,
Chovendo salafrários.
Onde me acho?
Onde me acho?
...minúcias sintéticas
do orvalho pecunioso
embala choros terceirizados
dum sistema desgarrado...
Todos os dias nascimentos,
Ao relento,
Crianças que
Morrem.
Mortalidade infantil
Suplanta herbáceas
No leito.
Ali, um aborto.
Sons absortos
Dum concerto sem rosto.
Crianças liliputianas.
Fugazes.
Condições miseráveis.
Um trago a rolar
Na sala climatizada,
Uísque que mata a avidez
Desnecessária.
Águas invadem arrabaldes.
Recém-nascidos já nascem com fome.
Comem barro sem alho,
Sede? Águas do vaso.
Onde me acho?
Onde me acho?
Se estudo trabalho.
Se não.
Vigio carro.
Bem-me-quer?
Mal-me-quer?
Anderson Costa

Nenhum comentário:
Postar um comentário