
Cartomante,
Diz-me tudo sobre a
Escuridão,
Desvenda o que se
Esconde num candeeiro
Solitário.
- infortúnio de um viver malogrado.
Cartomante,
Diz-me.
Diz-me os cânticos deste Brasil
De mil ares e venenos,
De presas e tentáculos.
Candeeiro solitário
Que guarda o Brasil
Em si,
Em mim.
Cartomante,
Adivinhes o futuro
Daquela ponte.
Aquela onde há
Suítes abaixo,
Pés descalços.
- alimentos não perecíveis.
-realidade que silencia.
Cartomante,
O que vês?
- burgueses e fregueses.
Quanto custa a fome?
Quanto custa o sono?
Quanto custa o descaso?
- não sei!
- não sei!
Tatear que ensurdece.
Mãos ásperas dum verdugo.
Brasil, tu és rechonchudo
E majestoso.
Teus filhos, macérrimos,
Paupérrimos.
Paupérrimos.
Anderson Costa

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