
O subdesenvolvimento dos meus sentires
Ou talvez de minha repugnância,
Deixa-me insatisfeito para comigo e
Para com os outros, absortos nas
Congestões sem vislumbres,
Na veraz ametria, funda ao rosto
Do tempo esgotado pelo limite
De segunda a domingo.
Às vezes me irrito sem haver
As vezes que me regozijo.
Sem percebermos, somos comuns
Diante da merda que nos circunda,
A encalçar nossos passos a borra
Comercial.
Mas o sossego me olha no chegar
Da noite,
Quando suplanto o cricrilar no
Sofá que namora minhas sestas,
A ouvir Bach, Mozart, Rachmaninov,
Corelli, Albinoni, etc…
A ler um pouco do Gullar e do
Drummond.
Vês?
Sou supérfluo igual a todos.
Ao acordar, lavo meu tormento
Sem me importar com
O ciúme da parede pintada de
Amarelo.
Subo quase todos os dias a Rua Afonso
Pena, embebido pelo álcool (não porque o bebo,
mas porque o bebem),
Sem o fedor dos indigentes que é luxo
Para minhas narinas modéstias.
Mas o que é portentoso não me convém.
Sigo no caminho sem vontade de trabalhar,
Sobre o pensar a pensar na vendedora de
Café, próxima aos vendedores ambulantes,
Simples, sem diploma universitário.
Animo-me ao vê-la no mocho da humildade,
Tentando entender porque há tanto desfile no
Percurso ao trabalho,
Tentando entender à empáfia de escopo monetário.
18h00min.
Retorno de um lugar desconhecido,
Acalmando-me com a iluminação dos postes
Ordenados.
Volto para casa tentando encontrar alguma
Simplicidade.
Chego triste em ojerizas.
Retorno ao Bach, Mozart...
Retorno ao Drummond...
Retorno à simplicidade confortante do
Quarto onde moro.
Anderson Costa

Adorei! Muito bom!
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